mundo pequeno, MAJU GIGANTE

Recebi essa foto pelo Whatsapp hoje e não pude conter a admiração que sinto por essa pessoa segurando o mundo na palma das mãos. A foto tem uma história, assim como a protagonista dela, a quem eu tenho a doce alegria de chamar de irmã. Maria Júlia é o nome dessa mulher gigante. Gigante de coração, gigante de sonhos, gigante nas lutas e gigante nas conquistas.

Das três filhas, a mais nova e a primeira a ter seu diploma nas mãos. Minha Maju, que ao longo de sua vida ouviu tantas palavras de negação, superou todas e mais algumas para tornar-se hoje uma modelo profissional com Síndrome de Down. Recordista mundial em número de desfiles em uma única edição de Fashion Week (ela desfilou 40 vezes em apenas 3 dias mantendo a energia, carisma e alegria lá em cima), escolhida como uma das 300 personalidades femininas inspiradoras do ano de 2019 e primeira modelo com Síndrome de Down formada profissionalmente a desfilar numa passarela de uma Fashion Week brasileira. Já apareceu na TV algumas vezes. Tem algumas matérias sobre sua história circulando no Google e uma página na Wikipédia. Tudo isso aos seus 18 anos. Uma mulher gigante, com um coração gigante e realizações gigantes. E apesar de tudo que tem realizado - não só como modelo profissional mas também como símbolo de representatividade de pessoas com deficiência - ela mantém o seu coração enraizado na simplicidade, no amor, na alegria e na resiliência. Um coração que é tão grande que chega a ser imensurável mas que ao mesmo tempo se limita a transbordar só sentimentos lindos e genuínos. As vezes chego até a me perguntar se ela compreende tudo que tem acontecido em sua vida mas logo a resposta vem: ela entendeu o significado da palavra “sucesso” melhor que muita gente por aí. Ela entendeu que suas conquistas são gigantes mas que seu sucesso tem mais a ver com sua essência, com a sua alma, com o que aprendeu em momentos turbulentos, com as lembranças que construiu nos momentos de alegria e com o que ela decide fazer com tudo isso.

Hoje vamos ao restaurante, ou ao shopping, ou ao mercado e as pessoas a reconhecem. As pessoas pedem pra tirar foto com ela. E nessas situações, meus olhos, como fossem câmeras, pousam direto sobre ela, só para observar sua reação: os olhos brilham, o sorriso ocupa todo o rosto e os braços se abrem em direção a essas pessoas cujos nomes ela ainda nem conhece. Dela transbordam um amor e uma alegria contagiantes que me levam a pensar comigo mesma: é impossível não nos tonarmos fãs da Maju. Ela se doa, se entrega, mergulha e oferece o seu melhor sem nem precisar se esforçar.

Sou suspeita pra falar? Eu acho que não. Tenho convivido com ela ao longo desses seus 18 anos de vida e isso me confere até uma certa autoridade pra afirmar que a Maju é ainda melhor do que aquilo que as pessoas têm visto, ouvido, conhecido.

Sou irmã babona, orgulhosa e em constante aprendizado com a pessoa que tem o coração mais bondoso, sonhador e acolhedor que já vi no planeta Terra. A pessoa que tem o coração maior que o planeta Terra.

E quando a noite chega, ela continua sendo a pessoa que pede pra segurar minha mão até a hora de cairmos no sono, que pede pra cantarmos na tentativa de abafar o barulho do temporal e que me encoraja a ser minha versão a cada dia sem nem perceber.

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